Caros alunos
Não haverá aula na próxima terça feira, dia 30 de março. Nos veremos na terça-feira, depois da Páscoa.
Bom feriado para todos!
Adriana
25 de março de 2010
22 de março de 2010
ATENÇÃO
A partir de amanhã, as aulas acontecerão na sala imediatamente ao lado do xérox do segundo andar.
Até lá!
Adriana
Até lá!
Adriana
Impressionismo e modernidade
Fonte: Carlos Vidal em http://5dias.net/2010/02/21/tudo-o-que-tem-e-deve-saber-sobre-impressionismo-e-monet-particularmente-a-matriz-da-nossa-existencia-moderna/
"Espaço, atmosfera, realidade e conhecimento, no Impressionismo tornam-se interactivos, logo o princípio renascentista do quadro-janela (Alberti) esfuma-se, bem como a importância que no Renascimento adquiriu a perspectiva científica (Alberti, Brunelleschi). Este tópico é extremamente importante, pois muitos leitores pensam na perspectiva como fundação da modernidade, o que é de certo modo errado, pois ao longo dos séculos (de Caravaggio ao Impressionismo, passando por Velázquez e Manet) e perspectiva é aquilo que os pintores sempre quiseram violar! (dirá Clement Greenberg que a essência da pintura é a bidimensionalidade e a planitude, mas esta é outra história).
Concluindo, o espaço impressionista é atmosférico, cromático, não-perspéctico ou, de outro modo, aspirante a uma tridimensionalidade óptica (apenas óptica!). Se o cérebro em Bergson é campo de acção, na pintura é a retina que é esse campo de cruzamentos e supressão de distâncias entre observador e coisa observada. Outra das razões porque a pintura impressionista é fundadora da modernidade, radica na sua intenção de criar algo não dependente da realidade e dos objectos."
"Espaço, atmosfera, realidade e conhecimento, no Impressionismo tornam-se interactivos, logo o princípio renascentista do quadro-janela (Alberti) esfuma-se, bem como a importância que no Renascimento adquiriu a perspectiva científica (Alberti, Brunelleschi). Este tópico é extremamente importante, pois muitos leitores pensam na perspectiva como fundação da modernidade, o que é de certo modo errado, pois ao longo dos séculos (de Caravaggio ao Impressionismo, passando por Velázquez e Manet) e perspectiva é aquilo que os pintores sempre quiseram violar! (dirá Clement Greenberg que a essência da pintura é a bidimensionalidade e a planitude, mas esta é outra história).
Concluindo, o espaço impressionista é atmosférico, cromático, não-perspéctico ou, de outro modo, aspirante a uma tridimensionalidade óptica (apenas óptica!). Se o cérebro em Bergson é campo de acção, na pintura é a retina que é esse campo de cruzamentos e supressão de distâncias entre observador e coisa observada. Outra das razões porque a pintura impressionista é fundadora da modernidade, radica na sua intenção de criar algo não dependente da realidade e dos objectos."
Monet e a impressão
"Saindo para pintar, esquece-te dos objectos que tens diante de ti, seja uma árvore, uma casa, um campo ou qualquer que seja o objecto. Pensa apenas que está aqui um pequeno quadrado azul, além um alongado rosa, aqui uma faixa amarela, e pinta tudo como se te afigura, com cor e forma exacta, até que a pintura emerja como a tua imediata impressão da cena que tens defronte”. Monet
Proust par lui-même.
Fonte: http://sites.br.inter.net/elzacaravana/?id=2736
Marcel Proust, em 1913, numa entrevista, afirmou:
“Minha obra é dominada pela distinção entre a memória involuntária e a memória voluntária... Para mim, a memória voluntária, que é, sobretudo, uma memória de inteligência e dos olhos, não nos dá do passado senão faces sem verdade; mas um aroma, um sabor reencontrados, em diferentes circunstâncias, revela-nos, mesmo contra nossa vontade, o passado, sentimos como esse passado era diferente do que acreditávamos recordar, e que nossa memória voluntária pintava, como os maus pintores, com cores sem verdade. Já, no primeiro volume, ver-se-á o personagem que conta, que diz “Eu”, e que não sou eu, encontrar subitamente anos, jardins, seres esquecidos, no gosto de um gole de chá onde ele encontrou um pedaço de madeleine ; sem dúvida ele se lembrava dela, mas sem seu calor, sem seu charme; eu pude fazê-lo dizer que como nesse pequeno jogo japonês onde se molham indistintos pedacinhos de papel que, logo mergulhados na bacia, se estiram, se contornam, se tornam flores, personagens, todas as flores de seu jardim, e as ninféias do Vivonne e a boa gente da aldeia, e suas pequenas moradias e a igreja, e toda Combray e seus arredores, tudo isso, que toma forma e solidez, saiu, cidades e jardins, de sua taça de chá.
Veja, não é senão às lembranças involuntárias que o artista deveria pedir a matéria prima de sua obra. Em primeiro lugar, precisamente porque elas são involuntárias , porque se formam delas mesmas, atraídas pela semelhança de um minuto idêntico, elas têm sozinha a marca de autenticidade. Depois elas nos devolvem as coisas numa dose exata de memória e de esquecimento.”
Marcel Proust, em 1913, numa entrevista, afirmou:
“Minha obra é dominada pela distinção entre a memória involuntária e a memória voluntária... Para mim, a memória voluntária, que é, sobretudo, uma memória de inteligência e dos olhos, não nos dá do passado senão faces sem verdade; mas um aroma, um sabor reencontrados, em diferentes circunstâncias, revela-nos, mesmo contra nossa vontade, o passado, sentimos como esse passado era diferente do que acreditávamos recordar, e que nossa memória voluntária pintava, como os maus pintores, com cores sem verdade. Já, no primeiro volume, ver-se-á o personagem que conta, que diz “Eu”, e que não sou eu, encontrar subitamente anos, jardins, seres esquecidos, no gosto de um gole de chá onde ele encontrou um pedaço de madeleine ; sem dúvida ele se lembrava dela, mas sem seu calor, sem seu charme; eu pude fazê-lo dizer que como nesse pequeno jogo japonês onde se molham indistintos pedacinhos de papel que, logo mergulhados na bacia, se estiram, se contornam, se tornam flores, personagens, todas as flores de seu jardim, e as ninféias do Vivonne e a boa gente da aldeia, e suas pequenas moradias e a igreja, e toda Combray e seus arredores, tudo isso, que toma forma e solidez, saiu, cidades e jardins, de sua taça de chá.
Veja, não é senão às lembranças involuntárias que o artista deveria pedir a matéria prima de sua obra. Em primeiro lugar, precisamente porque elas são involuntárias , porque se formam delas mesmas, atraídas pela semelhança de um minuto idêntico, elas têm sozinha a marca de autenticidade. Depois elas nos devolvem as coisas numa dose exata de memória e de esquecimento.”
Proust, um impressionista
“Mas quando mais nada subsistisse de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas - sozinhos, mais frágeis porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis - o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação.” (Marcel Proust, in "No Caminho de Swann").
Para Proust, o tempo é forma sob a qual nós entramos na posse e tomamos consciência da nossa vida espiritual, da nossa natureza viva, que é a antítese da matería morte e de mecânica rígida. O que somos passamos a se-lo não só no tempo, mas através do tempo. Somos não só a soma dos momentos individuais da nossa vida, mas o resultado do aspecto em mutação constante que eles adquirem através de cada novo momento. O tempo que passou não nos deixa mais pobres; é, ao contrário, extamente este tempo que enche as nossas vidas de conteúdo. A existência adquire verdadeira vida, movimento, cor, transparencia ideal e um conteudo espiritual à custa da perspectiva de um presente que é o resultado do nosso passado. Não há outra felicidade senão a da recordação e do reviver, da ressurreição e conquista do tempo que passou e se perdeu, porque, como diz Proust, os verdadeiros paraísos são paraísos perdidos. Proust é o primeiro que vê na contemplação, na recordação e na arte, não só uma forma possível, mas a única forma possível em que se pode possuir a vida. (Hauser)
Para Proust, o tempo é forma sob a qual nós entramos na posse e tomamos consciência da nossa vida espiritual, da nossa natureza viva, que é a antítese da matería morte e de mecânica rígida. O que somos passamos a se-lo não só no tempo, mas através do tempo. Somos não só a soma dos momentos individuais da nossa vida, mas o resultado do aspecto em mutação constante que eles adquirem através de cada novo momento. O tempo que passou não nos deixa mais pobres; é, ao contrário, extamente este tempo que enche as nossas vidas de conteúdo. A existência adquire verdadeira vida, movimento, cor, transparencia ideal e um conteudo espiritual à custa da perspectiva de um presente que é o resultado do nosso passado. Não há outra felicidade senão a da recordação e do reviver, da ressurreição e conquista do tempo que passou e se perdeu, porque, como diz Proust, os verdadeiros paraísos são paraísos perdidos. Proust é o primeiro que vê na contemplação, na recordação e na arte, não só uma forma possível, mas a única forma possível em que se pode possuir a vida. (Hauser)
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