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9 de março de 2010

Sade - fragmento de Justine

"...Depois de ter-me feito colocar os braços no chão, dando-me a aparência de um animal...aproximando uma espécie de monstro, sem exagero, dos peristilos de um e de outro altares da natureza, de tal modo que a cada abalo ela batia com força nessas partes com a mão aberta, como aríete antigamente contra as portas das cidades sitiadas. A violência dos primeiros ataques fez-me recuar; Coração-de-Ferrom furioso, ameaçou-me de tratamento mais duro se me furtasse a estes; a Dubois tem ordem de redobrar, um daqueles libertinos segura os meus ombros e impede que eu ceda sob os trancos que se tornam tão rudes que fico toda contundida e sem poder evitar nenhum golpe. ...Com força...com força, Dubois!... eo clarão dos fogos desse devasso, quase tão violento como o relâmpago, veio extinguir-se sobre as fendas molestadas, sem serem entreabertas.

O segundo fez-me ficar de joelhos entre suas pernas e enquanto a Dubois o atendia como ao outro, ele se dedicava por completo a duas ocupações: ora batia com a mão aberta, mas de um modo muito excitado, nas minhas faces ou no meu seio, ora sua boca impura vinha conspuscar a minha. Meu ´peito e meu rosto tornaram-se num instante vermelho-púrpura... Eu sofria, eu lhe pedia clemência e as lágrimas corriam-me dos olhos; elas o irritaram. Ele exasperou-se e então minha língua foi mordida e as duas cerejas dos meus seios tão roçadas que me atirei para trás, mas fui mantida à força por toda parte e seu êxtase decidiu-se....

O terceiro fez-me subir em duas cadeiras separadas e, sentado embaixo...fez com que eu me inclinasse até que sua boca ficasse perpendicular ao templo da Natureza; ...que homem tão depravado pode experimentar um momento de prazer com coisa assim....Fiz o que queria, reguei-o....

O quarto amarrou-me cordas em todas as partes onde foi possível fixá-las e ficou segurando o feixe na mão, sentando a seis ou sete pés de distância de meu corpo, presa de grande exctação pelos toques e beijos da Dubois; eu estava ereta, e era puxando com força alternadamente cada uma das cordas que o selvagem me atiçava seus prazeres; eu cambaleava, a cada um dos meus tropeções, por fim, todos os cordôes foram puxados de uma vez com tanta irregularidade que eu tombei por terra perto dele, o que era seu único objetivo, e minha fronte, meus seios e minhas faces receberam as provas de um delírio, obra apenas desse capricho."

8 de março de 2010

Sade - sistema filosófico

Fonte:

Clara Camicero de Castro.
O sistema filosófico do Marquês de Sade:
Estudo da elaboração do sistema filosófico do Marquês de Sade a partir das
filosofias iluminista e libertina da França no século XVIII.
Dissertação de Mestrado
Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas sob a orientação do Prof.
Dr. Luiz Roberto Monzani.


"A paixão perversa só poderá ser efetivada na sua plenitude se o desejo for indiferente a quaisquer motivos sentimentais ou conseqüências arriscadas, permitindo que o libertino atue contra quem ou o quê desejar, sem esbarrar em limites impostos pela sociedade. Para efetuar tal tarefa, o libertino deve seguir um rígido método, disciplinando o movimento do desejo e o julgamento da razão. Ele deve dispor de uma energia libidinal concentrada que, ao invés de percorrer o caminho para o investimento num objeto primário, deverá passar por um momento de insensibilidade, de vazio, para, dessa forma, aumentar até tornar-se a maior possível. Quanto maior for o momento de insensibilidade, maior será o desejo. Para alcançar esse vazio, o libertino deve examinar a realidade, de modo a dissipar todas as ilusões e preconceitos..."

"A atividade do libertino deve ser feita inteiramente a serviço de si mesmo. O
mundo, para ele, é um meio e não um fim. Encerrados em lugares ermos e de difícil acesso, como o castelo de Silling, os heróis sadeanos esvaziam o sentido de humanidade, concebendo que o seu poder se estende por toda a Terra, já que domina todas as vítimas do castelo. Solidão e poder, portanto, são inseparáveis."

"O libertino precisa provar a experiência da vítima para se certificar de sua
eficácia e realidade. A dor deve ser suficientemente real e confiável para que o libertino possa se objetivar através dela. A dor que ele inflige e constata é o signo de sua própria existência, a prova da extensão de seu poder."

"Em Sade, como foi dito antes, o vício trará prosperidades ao libertino que, para
obter êxito, percorrerá uma trajetória progressiva de crimes e excessos sexuais. Como já se notou, a destruição é um princípio fundamental do sistema sadeano, no qual a morte é apenas uma transformação da energia, um simples movimento de matéria. A morte de um homem, de um inseto ou de uma planta em nada difere para a natureza, porque, sob suas leis, todos os seres são iguais. De acordo com essa igualdade natural, não existe, portanto, nenhuma diferença no ato de assassinar um semelhante ou um ser de qualquer outra espécie. O crime, logo, nada mais é que a manutenção da ordem natural, a produção, na realidade, de um bem natural, porque, ao trabalhar em favor da decomposição dos seres vivos, transforma-os numa base necessária à natureza. Essa ação, incorretamente chamada de crime, é simplesmente a devolução à natureza da energia que ela nos deu para possibilitar a nossa criação. A noção de crime foi desenvolvida pelo orgulho do homem que, tomado por esse sentimento, acreditou que era o ser mais sublime do globo."

"A verdadeira empreitada de Sade foi desvendar as profundezas do coração humano. Provavelmente, como escreve em Idée sur Les Romans, não foi a sua verdadeira
intenção pintar traços tão louváveis ao vício. Não obstante, comprometido com a
verossimilhança de seus heróis, não pôde evitar tal efeito. Apesar de seus métodos
agradarem a poucos, é inegável que ele mostrou o homem sem véus, explicitamente nu,
perscrutando a sua complexidade. Sade procurou encontrar a verdade, ignorando a opinião pública, as convenções morais e, de certo modo, até mesmo o bom senso. Sua tarefa de despir o homem foi efetuada ao limite, e desagradou a muitos. Ora, qual homem, afinal, gostaria de olhar para os próprios defeitos, encará-los em todas as suas cores? O objetivo de Sade, portanto, foi determinar, a partir da realidade e da
experiência do desejo, um plano de conduta, no qual o homem pudesse reencontrar o
homem. Esse plano passou pela transgressão de todos os limites que não são próprios do homem, e pela linguagem, mediação necessária entre Sade, a realidade e o leitor. Deus, a natureza e a sociedade são limites históricos e objetivos que o homem precisa transgredir para ascender à sua verdadeira essência. Colocando o homem frente a frente com ele mesmo, Sade explicitou conflitos psicológicos que permaneceram latentes nos cristãos, nos deístas e nos naturalistas.
Enfim, o marquês é um filósofo totalitário no sentido que considera o homem
como uma totalidade que se faz sem cessar e que, por isso, deve lutar sem parar, não
permitindo nenhuma fraqueza. O pensamento de Sade, então, é absoluto, pois não termina jamais frente às conseqüências, mesmo sendo estas as mais implacáveis."

Sade - retrato

Sade - idéias

Comentários
"Sade é a expressão literária de uma revolta total e quase metafísica, a reivindicação de liberdade não só de princípios mas principalmente de instintos. "

Natureza
- legisladora suprema.
- natureza como fonte do mal. Crueldade é uma virtude e não um vício.
- libertação total dos prazeres eróticos.
- instinto natural: busca do prazer individual.
- principal lei da natureza: destruição. Tudo o que destrói nada mais faz do que seguir o ritmo da natureza.
- homem não é responsável pelos seus atos: ele segue as inclinações impostas pela natureza.

Moral
- relativismo total: ausencia de valores morais.

Liberdade
- o libertino é soberanamente livre: desprovido de preconceitos e avesso a todo tipo de freio.
- liberdade: busca da onipotência.
= soberania e/ou tirania do individuo: poder soberano do individuo consiste em escravizar todos ao seu prazer.

Sadismo
- busca do prazer total.
- o direito de submeter todos ao seu prazer.
- nega o direito do outro ao prazer: outro é mero objeto.

Religião:
- "écraser l'infame"
- ateísmo: comprovação empírica da inexistência de Deus. Deus sádico ?
- contradição entre as leis da natureza e as leis de Deus.
- libertino deve tomar o lugar de Deus.
- monismo do mal no mundo.

Super-homem de Sade
- o herói sádico não sucumbe jamais.
- exerce o poder sobre os outros.
- não é escravo de suas paixões.
- homem de razão fria e calculista.
- momento de apatia que leva ao gozo maior.
- humanidade divide-se em: grandes libertinos (que são soberanos) e o resto da humanidade (que tem que se submeter a eles).

Idéia de igualdade em Sade
- todos os homens são iguais: isto significa que eu posso lesar o outro, porque sendo todos iguais perante a natureza, uma ação que me beneficia e prejudica o outro, é completamente indiferente aos olhos da natureza.
- igualitarismo sádico: todos são iguais diante do desejo do libertino (igualdade das vítimas).

Saden online

http://www.scribd.com/doc/4851681/Contos-libertinos-Marques-de-Sade

Biografia de Sade

Fonte: Wikipedia

Donatien Alphonse François de Sade, o marquês de Sade, (Paris, 2 de junho de 1740 — Saint-Maurice, 2 de dezembro de 1814) foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava em um hospício, encarcerado por ordem de Napoleão Bonaparte, que se sentiu ofendido com uma sátira que o Marquês lhe escrevera. De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.

Índice [esconder]
1 Filosofia
2 Obras de Sade
3 Precursor da revolução sexual
4 Surrealismo e psicanálise
5 Questão da homossexualidade
6 Velhice e Legado
7 Obras do autor
8 Cinema
9 Cronologia
10 References
11 Ligações externas
12 Ver também


[editar] Filosofia
Além de escritor e dramaturgo, foi também filósofo de ideias originais, baseadas no materialismo do século das luzes e dos enciclopedistas. Lido enquanto teoria filosófica, "o romance de Sade oferece um sistema de pensamento que desafia a concepção de mundo proposta pelos dois principais campos filosóficos no contexto da França pré-republicana: o religioso e o racionalista".[1] Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos - na concepção moderna do termo. Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade - como por exemplo o "Princípios da Moral e Legislação" de Jeremy Bentham- uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os "bons costumes" da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance Os 120 Dias de Sodoma, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos - verdadeiro mergulho nos infernos.

Obras de Sade
Duas personagens criadas por Sade foram suas idéias fixas durante décadas: Justine (que se materializou em várias versões de romance, ocupando muitos volumes), a ingênua defensora do bem, que sempre acaba sendo envolvida em crimes e depravações, terminando seus dias fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa, e Juliette, sua irmã, que encarna o triunfo do mal, fazendo uma sucessão de coisas abjetas, como matar uma de suas melhores amigas lançando-a na cratera de um vulcão ou obrigar o próprio papa a fazer um discurso em defesa do crime para poder tê-la em sua cama. As orgias com o papa Pio VI em plena Igreja de São Pedro, no Vaticano, fazem parte da trama sacrílega e ultrajante do romance Juliette, com a fala do pontífice transformada em agressivo panfleto político: A Dissertação do Papa sobre o Crime. Sade tinha o costume de inserir panfletos político-filosóficos em suas obras. O panfleto Franceses, mais um Esforço se Quiserdes Ser Republicanos, que prega a total ruptura com o cristianismo, foi por ele encampado ao romance A Filosofia na Alcova, no qual um casal de irmãos e um amigo libertino seqüestram e pervertem uma menina, fazendo-a matar empalada a própria mãe que tenta resgatá-la no final

[editar] Precursor da revolução sexual
Além de patrono do surrealismo, Sade é considerado um dos pioneiros da revolução sexual, com suas ideias libertárias e permissivas, e um dos primeiros a ter uma visão moderna da homossexualidade, pois defende a existência de diferentes orientações sexuais para a humanidade. Em Os 120 Dias de Sodoma, chega a satirizar o predomínio do pensamento heterossexual e a milenar condenação à morte de comportamentos considerados desviantes: no romance, ele inverte a situação e dessa vez humilha a heterossexualidade, que é punida com a morte pelas regras libertinas do castelo em que se realizam as excrementosas, sangrentas e incestuosas orgias, regadas a homossexualidade e sodomia. A obra de Sade, constantemente proibida, serviu de base para a Psychopathia sexualis de Kraft-Ebing, que classificou as parafilias e incluiu nelas o sadismo, conceito que também seria muito importante para Freud e seus seguidores, como Melanie Klein, em cuja obra o termo sadismo costuma ser exaustivamente repetido. Hoje considerado um clássico maldito, pois passou quase trinta anos preso mais por suas ideias e por seu comportamento sexual do que por seus crimes, Sade só começou a ser valorizado pelos surrealistas, no começo do século 20.

[editar] Surrealismo e psicanálise
Tanto o surrealismo como a psicanálise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em A Idade do Ouro, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de Os 120 Dias de Sodoma. O sadismo também está explícito nas imagens mais surrealistas produzidas por Buñuel, como a navalha cegando o olho da mulher em O Cão Andaluz. Também há fortes referências sadianas em A Bela da Tarde e em Via Láctea, no qual aparece uma Cena em que Sade converte uma indefesa menina ao ateísmo. A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Genet, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses.

[editar] Questão da homossexualidade
A questão da suposta homossexualidade de Sade ("Terá sido Sade um pederasta?") foi formulada pela escritora francesa Simone de Beauvoir no clássico ensaio 'É preciso Queimar Sade? - Privilégios'. A autora conclui pela heterossexualidade de Sade, que sempre amou mulheres tolerantes a suas aventuras, embora tivesse um comportamento sexual atípico, defendendo o coito anal e chegando a pagar criados para sodomizá-lo publicamente em suas orgias, das quais a primeira mulher, Renné de Sade, teria participado. Atualmente, estudiosos da cultura e da literatura, como o jornalista Ottaviano de Fiore, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), compartilham a opinião de Simone de Beauvoir, creditando o comportamento e a imaginação literária do autor de 'Os 120 Dias de Sodoma' a neuroses relacionadas a parafilias, como o gosto pelo lixo e pela sujeira, que na ficção sadeana desembocam na apologia do crime e na erotização da fealdade e das mais atrozes torpezas. "A crítica que faço à pergunta de Simone de Beauvoir é que, posta em sua época, ela remete à visão de seres humanos descontínuos,isto é, não vê, como atualmente se vê, um continuum humano, mas vê um mundo repartido em que gays e outras minorias seriam descontínuos em relação a um padrão de ser humano dito normal, isto é, o gay seria o outro, que não partilharia da mesma condição humana, ponto de vista hoje considerado preconceituoso e racista, pois o padrão de ser humano mudou", afirmou Ottaviano de Fiore.

[editar] Velhice e Legado
Na velhice, já separado de Renné, sua primeira mulher, mas, como sempre, preso por causa de suas idéias e de seu comportamento libertino, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que mudou-se com ele para o Hospício de Charenton. Nessa época, sob o olhar tolerante de Marie-Quesnet, enamorou-se da filha de uma carcereira que tinha 14 anos quando o conheceu. Todos esses fatos estão rigorosamente documentados por Gilbert Lely, o mais importante biógrafo de Sade, compilador de suas cartas e autor do clássico 'Vida do Marquês de Sade'. Morreu aos 74 anos, amado por duas mulheres, com quem planejava produzir peças teatrais pornográficas quando um dia saísse do hospício.

[editar] Obras do autor

Ilustração do seu livro Juliette em 1800.Justine
Juliette de Sade
Zoloe e suas Amantes
O Estratagema do Amor
Os Crimes do Amor
A Filosofia na Alcova
Contos Libertinos
Diálogo entre um Padre e um Moribundo
Os 120 dias de Sodoma
A Crueldade Fraternal
[editar] Cinema
Muitos filmes foram feitos sobre o autor e sobre a teoria de suas obras.

Marat/Sade, de Peter Weiss (1966), peça que deu origem a filme.
Justine e Juliette (1968)
Filosofia na Alcova (1969)
De Sade (1969)
Saló ou 120 Dias de Sodoma do diretor Pier Paolo Pasolini (1975).
Paixão cruel (1977)
Marquis (1989)
Princesa negra (1996)
Sade (1999)
Contos Proibidos do Marquês de Sade conhecida também como Quills do diretor Philip Kaufman (2000).
aline et valcour

Lunacy (2005) do diretor Jan Švankmajer

4 de março de 2010

Impressionismo e esteticismo

Impressionismo (segundo Hauser)
Período: 1870 (?)
Contexto: Crise devido ao rápido desenvolvimento da técnica e pela busca incessante do novo. Grande dinamismo, grandes mudanças, ritmo vertiginoso; sentimento de rapidez. Corresponde ao mundo do homem moderno, onde tudo é transformado em movimento e variação, para quem a experiência do mundo é cada mais experiência do tempo.
Características: Arte urbana, descoberta da qualidade paisagística da cidade; olhar é o do moderno homem técnico. Descreve o ritmo nervoso, as impressòes súbitas e efêmeras da vida das cidades. Surgimento de uma nova sensibilidade nervosa. Ruptura com a visão estática do mundo; privilegia o movimento e a mudança. Realidade não é um ser, mas um devir. Natureza: em estado de decomposição. O mundo se desintegra. Supressão de tudo que é psicológico/valorização dos valores visuais. Visão do mundo atomizado, cheio de dinamismo.

Impressionismo
- desconstrução da materialidade, da forma plástica, da estabilidade, do espaço.
- privilegia o olhar do observador: subjetividade.
- desprezo pelo assunto/ ênfase na visualidade: fim da arte de assunto.
- arte é analítica: busca a matéria prima da experiência. Não faz a descrição pictórica do assunto, mas representa através dos seus componentes.
- arte de reduções, simplificações e restrições.
- tudo o que é humano e psicológico desaparece da pintura, em nome do aspecto puramente visual.
- realidade/cores/forma - dependem do ponto de vista do observador, que é sempre momentâneo e transitório.

Precursores: Delacroix e Constable.
Inauguradores: Manet.
Artistas: Monet, Renoir, Pissarro, Bazille, Morisot, Cézanne, Degas, Toulouse-Lautrec, Constantin Guys.
Origem social: burguesia e excepcionalmente aristocracia.
Peculiaridade: Pintura exerce influência sobre outras artes, e é a mais importante. Ultimo estilo europeu universalmente válido.

Cronologia do Impressionismo:
1854: Início
1874: Primeira Exposição Coletiva dos Impressionistas.
1886: Oitava Exposição
1887-1906: Pós-impressionismo (ano da morte de Cézanne).
Atmosfera: Sentimento da singularidade e da solidão do indivíduo na multidão.
Contradição: multidão ruidosa e incessante + sentimento de solidão.
Impressionistas e público: reação negativa deste/esforço dos impressionistas em agradar/divórcio entre os círculos oficiais e a geração de jovens artistas. Arte impressionista: é uma experiencia de solidão e isolamento.
Literatura: influência a partir da década de 1880. Esteticismo. Vida como obra de arte.
Proust/ Goncourt/Baudelaire/Wilde/Villiers de l’Isle-Adam (Axel/ Vera)/ Huysmans (A rebours)
Características: ideal de artificialidade, desprezo pela natureza bruta, divertimentos da cidade, paraísos artificiais, fuga da realidade, idéia de que arte é mais bela do que a vida real. Fuga do mundo real via mundo sublimado e mais artificial; desejos irrealizados são mais perfeitos e satisfatórios. Enfado diante da monotonia da vida; aversão à segurança ordenada da vida burguesa. “Os impressionistas tentam deixar a hora que passa fugazmente; o seu abandono ao estado de espírito passageiro, como o mais alto e insubstituível valor, o seu anseio de viver no momento que foge, de ser por ele absorvidos, não são mais do que o resultado dessa maneira antiburguesa de considerar a vida, dessa revolta contra a rotina e a disciplina da prática burguesa”. Hedonismo. O conceito de decadencia é a consciencia de se estar na fase final de um processo vital e na presença da dissolução da civilização. Simpatia por velhas culturas excessivamente requintadas: Império Romano, rococó.Os homens são tomados por um frenesi de transformação e decomposição - por um sentimento que também não é inteiramente novo, mas apenas muito mais forte do que nunca. Prazeres da auto-destruição e do aniquilamento: para o decadente, tudo é abismo, tudo está cheio do temor da vida.

Impressionistas: dois tipos de artista:
a.) novos boêmios: migração interna.
b.) fuga da civilização ocidental em terras distantes e exóticas (fuga verdadeira). Rimbaud
Ambos: desconforto com a cultura.



Exposição
abril de 1874 - artistas resolveram expor por conta própria fora do Salon. Organizaram-se no Société des Artistes Peintres, Sculpteurs, Graveurs. Mais de 160 obras. Nomes: Degas, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley e Bazille.
- nome: “impressionistas” - crítico Louis Leroy - “Exposição dos impressionistas”- impressão como um esboço.


Impressão
- objetivo: busca da natureza dos efeitos da luz, em constante variação, sobre as superfícies dos objetos na natureza, e como passar esta percepção para a pintura.
- pintura científica: busca de uma ciência/ técnica que seja o mais real possível.
- cor local: cor do objeto na natureza. É cambiante. É feita de várias cores puras.
- influência para as cores: teoria da harmonia cromática de Eugène Chevreul (publicadas pela primeira vez em 1839).
- pintura: estudo da luz e da cor.
- mundo impressionista: evanescente, fugaz, passageiro, cores são fugazes, formas são fluidas. Mundo evanescente.
- técnica: colocar as cores puras ao lado uma das outras.
- sombra: é colorida: inclui as cores complementares da cor do objeto que as projetou. Exemplo: complementar do amarelo é o violeta (mistura do vermelho + azul).
- investigação radical da representação pictórica da cor local, da sombra e das superfícies refletoras da luz.
- aspecto subjetivo.
- olhar do espectador é que recompõe e une as cores (mistura ótica).
- tema é secundário: paisagem. Tema é o suporte em que a luz se reflete.
- pintura feita ao ar livre.

Chevreul
- é diretor dos Gobelins.
- lições de tinta (1828-1831)
- cores primárias: amarelo, vermelho e azul.
- cores secundarios: laranja (vermelho e amarelo); verde (amarelo e azul); violeta (vermelho e azul). Cor complementar: é a cor primária que não entra na sua composição. O azul é o complementar do laranja; o vermelho, do verde; o amarelo, do violeta. Lei do realce.
- lei do contraste simultâneo das cores: se num mesmo plano se colocam paralelamente duas tiras de papel da mesma cor mas de tons diferentes, a parte da tira mais clara situada junto a tira mais escura parece mais clara do que é na realidade, enquanto que a parte análoga da tira mais escura parece também mais escuura. Ao estudar sucessivamente as sete cores do prismma - vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta e anil (?) - combinadas com o branco, o preto e o cinza, Chevreul estabelece que duas tiras coloridas, postas da forma acima, se modificam de modo que cada cor tende sempre a colorir-se de seu complementar. Ademais, se as duas tirar justapostas estão coloridas por um elemento comum, qualquer que seja o seu tom, este elemento tende a desaparecer.
- o método racional e experimental sobre a luz permite aos impressionistas revelar melhor “um mundo de emoções pessoais, subjetivas mágicas”. Mistura de liberdade e ciência.


Monet
- gosto por fazer pinturas sobre o mesmo tema.
-duas vistas de Notre-Dame.

Decadentismo: filosofia estética do impressionismo.
- fadiga de viver (romantismo)
- esteticismo: atitude passiva e contemplativa diante da vida
- convicção da transitoriedade e a natureza suspeita da experiência.
- sensualismo hedonista.
- arte como fim em si mesmo/ vida vivida como obra de arte.
- desprezo pela natureza/ valorização do artificial.
- esteticismo: formas preciosas, dos artifícios estilísticos e das temáticas tiradas do mundo interior
- vida deve ser preciosa e inútil. Beleza da vida só existe quando esta é transfigurada pela arte.
- consciência de se viver o fim de uma época
- gosto pelas velhas civilizações, exaustas e requintadas.
- “tudo é abismo”: indizível do horror da existência.
- artista como outsider: admiração pelos excluídos (prostituta)
- gosto das dimensões misteriosas da existência., pelo mórbido, pelo satanismo.


Boêmia Impressionista
Boêmia romantica: burgueses ricos, que pretendiam ser originais e extravagantes. Caminho tinha volta. Não havia miséria.
Boêmia naturalista: proletariado artístico, fora da sociedade burguesa, excluído dela.

Definição: proscrição/ ruptura com a sociedade burguesa e com a civilização européia. Ruptura com a permanência, estabilidade e a utilidade. Ruptura com a continuidade da vida. Não há lugar para idílio ou romantismo. Anarquia, miséria, desorientação.
Local: rua, hospitais, cafés, bordéis, music-halls.
Geração de: Rimbaud, Verlaine, Tristan Corbière e Lautréamont; Chekhov.
- Bêbados: Baudelaire, Verlaine, Toulouse-Lautrec.
- Viajantes e vagabundos: Rimbaud, Gauguin, Van Gogh.
Valores:
- desdém pelo barato sentimento de felicidade.
- vida monótona, pobre, sombria, enfadonha.
- arte narcotiza e não mais embriaga.
- niilismo/ negação de si próprio.

1890: Decadentismo -> Simbolismo
- Irracionalismo/ espiritualismo

- Exemplo: Mallarmé
- vida contemplativa em oposição à vida ativa.
- renúncia à natureza e à realidade.
- criação de paraísos artificiais: vida da imaginação.